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Barbarella – um abominável e esplendoroso clássico de 1968

Barbarella – um abominável e esplendoroso clássico de 1968

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Barbarella é um aberração que virou cult, que explora a sensualidade gratuita feminina, que é a frente do seu tempo e que sim, merece muito ser assistida.

Falar sobre este filme justo hoje, 08 de março – Dia Internacional da Mulher, é quase uma afronta. Quase.

Não há intensão de (apenas), enaltecer a beleza feminina, embora ela deva ser enaltecida como qualquer beleza que a natureza proporcione. Até porque no filme esta beleza é explorada de forma duvidosa, mas, insubstituível.

Por isso, é inegável o impacto que o filme provocou na época e que ainda provoca.

Barbarella

A história é sobre uma “James Bond feminina” que é chamada pelo governo da terra para capturar um cientista maluco que fugira ao espaço com uma arma letal.

Possivelmente esta arma produzira uma guerra, que há muitos séculos foi banida da humanidade.

O filmes retrata o século 41 numa verve de amor livre e viagens espaciais, onde não há mais sexo físico.

O ato prazeroso é feito com o casal ingerindo pílulas que fazem o esquema.

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Cena de sexo com pilulas em Barbarella

Contextualização

Antes de mais nada é preciso situar: o filme é de 1968, uma época de extrema transformação mundial (que dirá no Brasil com o AI5).

Neste mesmo ano foi lançado 2001 – Uma Odisseia no Espaço e o cinema e a humanidade estão surfando numa onde de ficção cientifica. Tanto que em julho no ano seguinte o homem pisaria na lua.

Foi uma década de intensa mobilização pelos direitos femininos e na discussão sobre liberdade sexual.

Um reflexo destas discussões é o Festival Woodstock, realizado em 1969.

Adaptação

Barbarella pode ser considerado o primeiro filme de quadrinhos adaptado diretamente para o cinema.

Até então já se havia feito em séries e miniséries.

A personagem foi criada por Jean Claude Forest em 1964 para os seus livros de ficção científica para adultos Barbarella: Queen of the Galaxy.

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O filme

O filme é bizarro. Mesmo para os padrões de efeitos especiais da época.

E isto não é apenas um opinião pessoal.

Barbarella custou 9 milhões de dólares na época e arrecadou em bilheteria apenas 2,5 milhões. Esta na lista dos fracassos cinematográficos.

O roteiro é dislexo, as falas são frágeis e rasas e seu ritmo é um lento demais.

Alguns planos são longos demais e desnecessários.

Impossível não vê-lo com comicidade a partir dos seus efeitos especiais e caracterizações apresentados.

Porém, ainda sim, o filme tornou-se um clássico cult, na sua reapresentação em 1977. Talvez pela criatividade de seu diretor.

Mas o que há por trás deste filme para ainda assim ganhar um post em 2019?

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Jane Fonda é Barbarella

Esta é a resposta.

A participação de Jane Fonda para este filme o coloca na historia.

O filme, com Jane Fonda, trata exatamente de sua época apontando questões como faça amor e não faça guerra, a corrida espacial, drogas, revolução sexual e o uso de pílulas. Na abertura Barbarella já é descrita como psicodélica.

A direção de arte compôs um cenário repleto de acrílico.

Mas foi a personificação de Jane Fonda, imprimindo um ar ingênuo e angelical para esta “heroína”, aliado claro ao seu corpo escultural, que tornam-o cultuável.

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Sensualidade

Apesar do longa apoiar-se exclusivamente no corpo semi nu de Fonda e isto provocar revolta (e com razão), pela exploração demasiada da beleza feminina, deve-se lembrar que Barbarella personifica a última das heroínas de ficção científica: inteligente, forte, com sentido de humor e sexy.

A forma como é abordada a figura feminina no filme, reflete a ascensão do feminismo, da luta por direitos iguais e a liberdade sexual da mulher: a protagonista é bissexual.

Isso em uma época em que os filmes traziam papéis femininos limitado a figuras idealizadas, inocentes e vulneráveis, sempre salvas pelo mocinho.

Claro que Barbarella é longe de ser uma Tomb Rider, mas são os primeiros passos.

Reflexo

Utilizar o 08 de março para lembrar de um filme que usa do corpo feminino para fazer sucesso é um incentivo para nos fazer olhar para o contemporâneo.

Músicas, novelas, filmes, propagandas de televisão (vai uma Itaipava?), ainda se utilizam deste subterfúgio raso para chamar atenção. Até mesmo produtos de limpeza destinados apenas ao público feminino incomodam.

Mais do que apenas entregar um rosa ou levar cafe na cama, agir normalmente, sem considerar o sexo como um motivo de diferenciação. Os valores são internos.

Trailer

Assista ao trailer e se divirta.

Filme Cult

Se eu gosto do filme, sim gosto!

É preciso olhar com outros olhos, olhos menos críticos e mais divertidos.

E não sou só eu (eu acho).

A banda Duran Duran, sucesso nos anos 80 nasceu de uma referencia ao filme.

Assim como Kylie Minogue, Scott Weiland (Stone Temple Pilots), Jamiroquai ou, até mais recentemente, Gabriela Cilmi e outros artistas, já fizeram referências a Barbarella em temas dos seus álbuns ou utilizaram cenas do filme para videoclips das suas músicas.

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Totonho Lisboa Sou ator de teatro e televisão e produzo espetáculos sob encomenda. Sou parte do nicho que se interessa por muitos assuntos, mas não é expert em muita coisa. Meus momentos criativos são compostos por séries, Wood Allen, curtas metragem e trabalhos irônicos independentes. Não tenho nada contra Blockbuster.

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