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Dark e as teorias científicas da série da Netflix

Dark e as teorias científicas da série da Netflix

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A série alemã Dark da Netflix conseguiu superar as expectativas de muitos fãs do serviço de streaming na sua temporada de estreia. Ou melhor dizendo, pegou muitos desavisados de jeito, principalmente aqueles que sem muito esforço viram na narrativa da série semelhanças com Stranger Things, como se a famosa série dos irmãos Duffer também não fosse um belo mosaico de referências da cultura pop.

Contudo, mesmo os críticos mais ferrenhos a obra alemã tiveram que concordar em uma coisa, o roteiro da série era um fan service gigante aos amantes de ficção científica.

O fez a possibilidade de uma segunda temporada elevar a régua lá no alto, não só pelos ganchos deixados na trama ou pelas teorias de viagem no tempo ainda não exploradas na trama, mas também pelos personagens e seus emaranhados relacionamentos, digamos, físico temporal.

E não custa avisar, terão SPOILERS abaixo! 

A segunda temporada da série, assim como na primeira, somos apresentados a algumas teorias da física que dariam base para a viagem no tempo. Afinal, essas teorias realmente alicerçam a história ou estão lá meramente jogadas? Vamos falar um pouco de cada uma dessas teorias para também tentar especular qual rumo a série pode tomar em seu possível terceiro ano.

 

BURACO DE MINHOCA

A teoria do buraco da minhoca foi desenvolvida pelos físicos Albert Einstein e Nathan Rosen que acreditavam na possibilidade de ser possível se realizar viagens no tempo por meio de buracos que atuam como portais que permitiram o transito entre o futuro e passado, ou ligar duas regiões distantes do espaço.

Na primeira temporada da série o buraco de minhoca chegou a ser citado como a principal causa das anomalias temporais da série. Contudo, na segunda temporada descobrimos que o buraco de minhoca na verdade era o efeito de uma explosão de anti-matéria e posteriormente aberto com a “maquina do tempo” criada pelo relojoeiro de Winden, H.G. Tannhaus.

Na temporada seguinte vemos que um incidente na usina causa o apocalipse que é profetizado desde o final da temporada de estreia de Dark. Contudo, o incidente ocorrer a partir do momento que os personagens abrem um fosso onde estaria enterrado apenas lixo radioativo, criando então a primeira fenda temporal (e maior incoerência da série até então) após a explosão de anti-matéria.

Ao abrir essas “fendas no espaço tempo” as coisas começam a mudar, ou simplesmente seguem um circulo sem fim, mais ou menos como sugere o fim (trágico e tão odiado) da série LOST, onde os personagens foram os causadores da anomalia magnética da ilha que anos mais tarde causa o acidente que derruba o seu avião. E é aí que entra o maior pulo do gato de Dark, as causas e os efeitos de uma viajem no tempo.

 

VIAGEM NO TEMPO COM CAUSA E EFEITO

Assim como vimos nos filmes de De volta para o futuro, as viagem no tempo ao passado podem afetar diretamente desde a existência de personagem do futuro até situações sociais complexas. O que a serie Dark vem sugerindo até então é que tudo que se estabelece nos três ciclos já é uma anomalia temporal de causa e efeito. Seria mais ou menos como se os personagens de Dark estivesse vivendo em uma linha temporal alternativa como a que ocorre no segundo De volta para o futuro, onde após o personagem Biff (velho) volta ao passado e entrega a sua versão jovem um livro de apostas do futuro, abrindo assim uma linha temporal no presente diferente, onde Biff é praticamente dono do mundo.

Pensando nisso, os personagens de Dark podem sim estar em uma linha temporal distópica ao que seria a sua de verdade. E a resposta para qual linha irá permanecer no novo ciclo que se abriu, ainda está com o personagem principal, ou melhor, com as suas duas versões que agora coexistem em uma trama onde inegavelmente um se tornará o vilão e outro o mocinho.

 

VIAGEM NO TEMPO TEORIA DAS CORDAS E MULTIVERSOS

Tendo em mente que temos três Jonas na história central agora (jovem, adulto e velho, vamos chamar assim), podemos  teorizar algumas coisas. Contudo, para isso é preciso pensar primeiro no personagem do Jonas adulto. Precisamos lembrar que durante a segunda temporada, inúmeras vezes ele repete que não sabe o que vai acontecer, pois a “causa” do apocalipse do futuro dele era outra. Logo, qual dos dois Jonas “jovens” se tornará o vilão? É aí que entra o quarto ciclo da série e uma possível introdução a outra teoria de viagem no tempo, a teoria das cordas e multiversos.

O conceito de multiverso é um termo usado para descrever o conjunto hipotético de universos possíveis, incluindo o universo em que vivemos. Juntos, esses universos compreendem tudo o que existe: a totalidade do espaço, do tempo, da matéria, da energia e das leis e constantes físicas que os descrevem. Logo, voltamos ao primeiro conceito teórico apresentado pela série, o buraco de minhoca. Ele seria a explicação que os personagem na verdade não estão indo para o futuro ou para o passado, mas sim viajando entre as cordas e coexistindo.

Dark Season 1

Contudo, pensando nisso, sendo as viagem no tempo de Dark entre os multiversos, tornando as escolhas de cada personagem uma nova linha temporal alternativa, dentro dos três ciclos. E isso fica um pouco mais evidente quando no final o Jonas jovem é salvo do apocalipse uma Martha, mas não aquela que morre em seus braços, sendo então do quarto ciclo e de uma nova linha temporal. Só que nessa teoria as coisas não podem ser mudada de fato. Apenas novos ciclos serão criados futuros.

TEORIA SOBRE O TERCEIRO ANO DA SÉRIE

Tendo esse cenário em mente, três Jonas viajantes do tempo estabelecidos, o Jonas velho sendo o grande vilão da história, podemos acreditar então que um dos dois Jonas jovens se tornará o vilão e o outro o grande herói? Em que momento o Jonas Velho morre e para de manipular os ciclos passados?

Pelo jeito Dark precisará nos dar tantas respostas quanto um dia esperamos de LOST. Só espero de coração que ao final ninguém fique com cara de paisagem e com a nítida impressão que perdeu um tempo precioso de suas vidas. Afinal, ninguém tem uma maquina do tempo, não é mesmo!?

 

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Guilherme Kos Publicitário, roteirista, saudosista, apaixonado por cultura pop e bonequinhos de filmes. Inegavelmente um dos sobrenomes mais imemoráveis da internet, é o criador dos quadrinhos Pink e o Pato.

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