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Destaque Indie: Songbird Symphony

Destaque Indie: Songbird Symphony

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Um grupo de três rapazes de Singapura lançou semana passada, dia 25, seu primeiro game, Songbird Symphony.

O game combina seções de platformer (como Mario e Sonic) e jogos de ritmo. A seção de ritmo entra em cena sempre que o protagonista enfrenta ou interage com outros personagens, assim como nos momentos mais marcantes da história.

 

Pássaros e passarinhos!

Captura de tela do jogo Songbird Symphony com o personagem principal na frente de sua casa
Birb na frente da sua casa com um retrato dele com o Uncle Pea

Os personagens do game são todos pássaros. Você controla um filhote de uma espécie de passarinho até então desconhecida. Seu nome é Birb, e você foi encontrado e adotado por um pavão desengonçado chamado Uncle Pea.

O pequeno Birb se questiona por que ele se parece tão diferente dos demais pavões. E quando ele pergunta ao Uncle Pea, o mesmo se recusa a responder.

Isso impulsiona nosso pequeno passarinho numa jornada para descobrir quem ele realmente é, e encontrar um lugar que possa chamar de lar.

 

Songbird Symphony: Um ar musical

Nessa jornada, Birb precisa aprender diferentes notas musicais. Cada espécie de passarinho da floresta tem uma nota distinta, e seu objetivo é encontrá-los.

Cada um desses pássaros tem seus próprios problemas. Birb os ajuda a resolvê-los, e em troca, ele aprende novas notas. Essa interação acontece através de números musicais.

Cada canção é dividida em dois segmentos. O primeiro é uma parte “cantada”, e se apresenta como uma espécie de karaokê. Não há voz, mas um dos instrumentos representa a linha vocal. O segundo é uma parte de ritmo nas quais você precisa usar as notas musicais que aprendeu até o momento. No total há 6 notas para aprender. E cada nota tem seu próprio botão.

Comparação dos dois segmentos das canções de Songbird Symphony
Os dois segmentos das canções do jogo

Cada nova área que você visita traz uma forma diferente de interagir com essas notas. À medida que você avança no game, as seções visuais ficam mais confusas, te forçando a prestar mais atenção no som das notas.

 

Musicalidade e dificuldade em Songbird Symphony

Outro aspecto interessante do jogo é a sua aparente dificuldade. O foco é na musicalidade do jogo. Por causa disso, as partes de ritmo geralmente têm um visual cheio de cores e efeitos que é difícil de acompanhar.

A intenção é que o jogador foque nas notas musicais. Para pessoas com afinidade musical, a conexão entre um certo botão e sua respectiva nota é natural. Como resultado, essas partes dão uma vaga impressão de estar tocando um instrumento musical. Há inclusive acordes, e sequências em que você precisa segurar uma nota enquanto toca outras. O game exige coordenação e foco.

Eu não tenho muita afinidade musical. Apesar de me considerar competente em Guitar Hero e Rock Band, nesse jogo encontrei mais dificuldade. Isso porque não consigo perceber a diferença sonora entre as notas muito bem. No caso de Rock Band, você consegue usar os elementos visuais como referência do que está por vir. Em Songbird Symphony, se você prestar atenção nos elementos visuais, em algumas das músicas você acaba se confundindo, visto que as imagens se embaralham e você precisa memorizar sequências longas.

Captura de tela de Songbird Symphony mostrando um segmento avançado da parte de ritmo do game
Nesse segmento, as notas se empilham todas, forçando o jogador a memorizá-las

 

Acessibilidade… mas a que custo?

Quando parei de focar nos elementos visuais e me deixava levar pela música, geralmente acertava mais notas. A sensação de agir por instinto e ainda assim apertar a sequência correta de notas é bem empolgante.

O problema, similar ao aprendizado de um instrumento musical, é que você precisa praticar. Não é algo que a maioria das pessoas vai poder jogar bem logo do começo. E tudo que envolve prática também envolve frustração, visto que você vai ter que errar muito até desenvolver a habilidade necessária. E como não há níveis de dificuldade, as canções se apresentam de forma igual para jogadores de diferentes níveis de habilidade.

A forma que o game encontra para contornar esse impasse é a remoção de qualquer punição por erros. Isso significa que você pode errar todas as notas em uma canção, mas o game vai prosseguir como se você tivesse obtido sucesso.

 

Um game para todas as audiências

Não acho que essa remoção de punição de erros seja ruim. Claro que alguns jogadores vão seguir o caminho mais fácil e vão ignorar as partes musicais. Mas o importante é que o jogador tenha e escolha. Quer banalizar o jogo a ponto de apertar notas aleatórias e ainda assim obter sucesso? Ninguém vai te impedir.

Captura de tela do jogo Songbird Symphony ilustrando impossibilidade de falhar
Lava funciona como uma cama elástica e te joga bem alto no ar!

O interessante é perceber que, quando deixamos essa escolha a encargo do jogador, muitos deles escolhem jogar da forma como foi planejado. Afinal, é justamente isso que faz o game ser divertido. É a mesma ideia de jogos de tabuleiros. Você pode seguir as regras ou criar as suas. Tudo depende do que parece mais divertido para o jogador.

Isso também torna o jogo bastante acessível a crianças. Songbird Symphony pode ser uma introdução bem bacana a noções musicais.

 

Um preço atraente

Considerando que lançamentos AAA estão por volta de R$150, R$33 (na Steam) por um game indie não é um mau negócio. Songbird Symphony está disponível para Switch, Playstation 4 e PC.

Se você não for atrás de colecionáveis, o jogo tem uma duração de 4 a 5 horas. Com colecionáveis e conquistas, esse tempo sobe de 8 a 12 horas, dependendo da sua habilidade nas seções de ritmo.

Para aqueles que querem zerar Songbird Symphony completamente, você recebe uma classificação por nota. Essa classificação vai de C, sendo a pior, a S, sendo a melhor. Entre essas duas, você pode receber classificações B e A também. Como nenhuma conquista exige que você obtenha ranking S nas canções, coletar esses se torna um objetivo pessoal.

O game tem um demo, caso você esteja com dúvida. Porém no demo a seção de ritmo é bem simples e falha ao ilustrar a complexidade que caracteriza as demais canções.

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Vagner Albino Nascido no Rio Grande do Sul, atualmente mora no Canadá e está sempre procurando pelas últimas novidades no mundo dos games. Seus jogos favoritos são RPG, aventura, música e indies, e ele mesmo já desenvolveu diversos pequenos jogos e interações para a plataforma Twitch, onde esporadicamente faz algumas transmissões.

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