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Stranger Things, Rei Leão e o risco de ser nostálgico

Stranger Things, Rei Leão e o risco de ser nostálgico

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Stranger Things, depois de sua terceira temporada, provou o gosto amargo de ser nostálgica demais.

Muito além de uma opinião pessoal sobre a nova temporada, que não vale mais que uns 10 minutos de discussão em mesa de bar, proponho colocar luz sobre este Hype nostálgico que inundou streamings e cinema.

Não obstante, temos o remake de Rei Leão e Cavaleiros do Zodíaco, que lutam para vencer a memória emotiva de seus consumidores com mais de 30 anos em comparação sobre si mesmos no atual momento de ofertas de entretenimento.

Mas nada é óbvio, pois se colocarmos na mesma discussão o “novo” Caça Fantasmas, que tentou se recriar na própria história e sofreu criticas ferrenhas destes mesmos consumidores com mais de 30 anos.

E agora?

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Stranger Things

Vou pontuar e colocar em H2 Stranger Things pois este é mo maior exemplo de cutucar uma região delicada: a nostalgia.

Desde que surgiu, e não faz tanto tempo assim, a queridinha das séries do streaming assustou-se com a própria sombra.

De uma história acalentada no conforto de um enredo pontual de mistério com boas e úteis referencias oitentistas, precisou se reescrever para suprir o estrondoso sucesso.

E teimo em dizer que falhou.

Sucesso

Pois foi este sucesso este que arrebatou roteiristas e se fez necessário reinventar-se sobre uma história que se findava em si na primeira, no máximo segunda, temporada.

Muitos vão se explicar, e eu mesmo o faria, que não há como deixar escapar esta onda chamada hype e surfar no sucesso merecido.

Mas a pegunta é: ate que ponto?

Das duas uma: ou se pensa em uma história com um arco programado para ser entregue em diversas etapas – destaca-se o MCU – ou se contenta com uma história única e emblemática – destaca-se Everthing Sucks. 

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Nostalgia – Stranger Things

Entendo que se a escolha for pela primeira opção, a melhor ideia é entregar a nostalgia em doses homeopáticas.

O que acabou não acontecendo com Stranger Things

Na série que se passa em Hawkins, apostou -se todas as fichas em sua primeira temporada  o que explicou seu sucesso.

Uma trama coerente, digna dos mestres do suspense e do terror pulp – que se mostrou mais evidente na segunda temporada.

Se tivesse isso até aí, ok!

Mas precisou avançar.

E esse avanço abusou da nostalgia e nos entregou uma historia qualquer, que já não tinha mais razão de ser qualquer outra coisa que não mais de cinco horas de nostalgia e easter eggs.

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App Stranger Things

Inclusive, vale o destaque da campanha de lançamento da terceira temporada.

Stranger Antenna foi um aplicativo anunciado pela Netflix para promover a nova temporada e consistia em, pasmem, aproximar um Bombril (o Mil e uma utilidades), na parte traseira do celular para sintonizar a imagem e receber pistas dos novos episódios.

Exatamente como nos televisores dos anos 80.

E sabem quem apresenta estas pistas? O ator Carlos Moreno  que, pasmem, era o garoto propaganda da Bombril.

Exatamente como na programação dos televisores dos anos 80.

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Nostalgia – Rei leão

Do mesmo modo, Rei Leão veio trazer á luz da modernidade um clássico que enlouqueceu milhares de adolescentes dos anos 90, aqueles mesmo que eram crianças nos 80’s.

Diferente do que Jon Favreau conseguiu fazer em Mogli: o menino lobo, a história de Simba não podia se reinventar.

Uma das grandes joias da Disney, instigou e se aventurou no “vamos rever nosso clássico querido”.

Talvez uma desesperado meio de reviver aquele ano incrível (mais alguém lembrou do Tetra?).

O problema, assim, foi praticamente recriar plano a plano o original de 94.

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Lindo!

Mas quando acaba a terceira temporada e as luzes do cinema se acendem, vem a pergunta melancólica: e dai?

Futuro da Nostalgia

Importante salientar que 2020 abre uma nova década. Isso para o mercado significa que uma nova geração de consumidores vai estar apta para comprar.

Quer dizer que os nascidos nos anos 2000 terão 20 anos e estarão aptos para consumir, principalmente streaming.

Ou seja, uma nova onda nostálgica deve começar. E que esta nova onda aprenda com os próprios erros.

Assim como nós aprendemos com os anos 80 e 90 e seus remakes e referências

Só não aprendemos mesmo foi a votar para presidente 😉

 

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Totonho Lisboa Sou ator de teatro e televisão e produzo espetáculos sob encomenda. Sou parte do nicho que se interessa por muitos assuntos, mas não é expert em muita coisa. Meus momentos criativos são compostos por séries, Wood Allen, curtas metragem e trabalhos irônicos independentes. Não tenho nada contra Blockbuster.

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